Tinha poucas certezas e menos palavras. Tinha ainda menos senso de humor, nessas horas. Mas sorria irresponsavelmente e ninguém reclamava. Sorria pra não rir, de si mesmo ou de alguém.

Mas acima de tudo, de si mesmo.Ah, conhecia seus defeitos tão bem. E esses sorrisos não são simpáticos, são defensivos. Ninguém se preocupa com sorrisos.Mas ele sim.

Talvez devesse começar a economiza-los.Quando aquela música tocou, e todo mundo dançava como se fosse qualquer música, talvez não fosse.

Era a música dele, apenas dele, naquele momento. E ninguém sabia, nem se atreveu a discutir o assunto. Nem ele.E era uma música melancolicamente disfarçada de feliz. Como ele.

E aquele conflito volta a bater na porta: quantos anos merecia ele ter?Depois de tudo deixar aparecer, na frente de quem talvez nem saiba quem ele era, já não é mais.

E deixou muita história pra contar, aquele ser que ele era antes de ser de novo.

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