vozes

Janeiro 7, 2009

blinded1Tem tanta voz por dentro, que eu me pego tendo que organizar todos os sons. Aprendizado nunca cogitado, ter de fundar referenciais e abandonar concepções que já não dão tanta conta do presente.
Fui pega por um pedido, despertou minha piedade momentânea. Era uma das vozes, mais uma, chegando e levando meu trabalho à estaca zero novamente, porque, com mais uma novidade sonora, tenho eu que reorganizar tudo, mais uma vez.
– Você só pode estar brincando comigo!…
Dizia e, ao mesmo tempo em que começava com uma energia poderosa, como se viesse liberta de um sufocamento e só tivesse aquele instante para comunicar alguma importante coisa, também ia diminuindo na intensidade, ao ponto de ter de ser sussurrado o comigo.
Sobre outra voz, para você o que não nominarei:
Antes, antes, antes, eu lhe quero traduzir uma das muitas vozes, um dos muitos pedidos. Ia assim:
– Não some da minha vida, não.
No entanto, soaria, em língua nossa, tão exagerado e tão extremado, que eu calo. Talvez você até suma, afinal, como vai saber que é importante que permaneça por perto?
– Permaneça.
Têm essas falas, cada uma extremamente fiel e leal. O fato de se relacionarem diversamente não desmente a lealdade de cada som empregado nessas elocuções em silêncio. São o melhor de mim. E tão melhor que eu nem divido, eu calo.
– Não brinca assim.
Repetiu mesmo o tema. Vou recomeçar a organização dos sons.
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