Death Life Abril 1, 2008
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“(…) A explicação de nós, do que fazemos e vivemos, é tão ridícula. No fim de contas apenas constatamos. Mas inventar o porquê, formular uma lei dá-nos a pequena ilusão de dominarmos o desconhecido. Não dominamos nada: conhecemos apenas a nossa fatalidade.
- A vida é estúpida, Ema, não tem «porquê». Os actos essenciais da vida realizamo-los com os olhos fechados: o prazer da boa música, ou da boa mesa, ou o prazer amoroso, ou a união com Deus. Até mesmo, se quiser, o próprio «descomer». Tudo o que é essencial é cego. Fechamos sempre os olhos. É por isso que no-los fecham quando morremos, se os deixamos abertos. (…)”
Vergílio Ferreira, in Alegria Breve
O que vejo… o que vejo…
Que até na vida existe um pouco da morte. Que com o crescimento (na vida, no sofrimento)
nos vamos morrendo aos poucos. Que a cor da morte consegue estar presente até no cenário mais feliz. Mesmo ao lado do rubor das maçãs do rosto.
Dime lo que ves!! Dime lo que ves!…Dime. Eu vejo a Sagrada Família na margem da vida!Dime lo que ves!Dime!
Há nisto um mistério que me desvirtua e me oprime.
E tudo se me confunde num labirinto onde, comigo, me extravio
de mim.
As palavras, Março 21, 2008
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As palavras têm dignidade – palavra de honra!As palvras têm valor – valem ouro, por isso são roubadas!As palavras são promessas – dou-te a minha palavra!As palavras são gulodice, uma doçura ou azedume – por isso há quem as mastigue e por vezes caem mal!
As palavras são sentença – têm a última palavra !
As palavras são forma, coisa, matéria e objecto – têm peso e gastam-se, pelo que o seu uso deve ser comedido e não banalizado, dispendido em vão!
As palavras fazem sentido mesmo quando são silenciadas e censuradas!
As palavras são sementes geradas no ventre, Jesus! são divinas – por isso Deus se fez verbo!As palavras são sempre revelação – anunciação!
As palavras são sagradas – pelo que incitam o fervor iconoclasta!
As palavras são mulheres, femininas – procriação, provocação, prazer, poder, diplomacia!
Escrevo como vivo, como amo, destruindo-me. Suicido-me nas palavras
disse Ruy Belo
Colar de páginas Dezembro 31, 2007
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Setembro 20, 2007
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choveu na palavra onde eu estava.
Entre.os.dias. Agosto 26, 2007
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e enquanto as paredes vão e as articulações vão e os bloqueios de escritor vão – e quem disse que isso seria bloqueio? e… escritor? -; eu me pergunto se há alguma música na impossibilidade de enxergar-se nelas?
e aí, as paredes verdes me incomodam.e a natureza, assim, superestimada, me incomoda.
mas eu me acostumo. eu me levanto e digo:
wake me up and leave.
like it always used to be.
Minha odisséia particular de palavras Agosto 21, 2007
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Peço que leia rapidamente, como se tivesse receio de ser engolido pelas palavras. Tudo isso; os cadernos encharcados de mim mesmo, as cartas anunciando alguns pecados que eu nunca enviei e duas ou três dores de ser, meu suspiro opaco de fumaça sobre os abajures; tudo isso exerce uma força que engole violentamente, força-significado, puro símbolo, puro enigma. Dou mil voltas ao redor de mim mesmo enquanto me fitas silenciosamente. Então leia logo, por favor, ou te afogo – o desejo deseja – leia com pressa, sem se preocupar se as palavras vibram, se vibram umas nas outras, se entrelaçam-se.Não quero a verdade, nem as religiões, ora, elas não ensinam mais que a confeitaria.Na verdade, aprendi muito mais com as receitas de biscoitos, que com os grandes tratados, Metafísica de Aristóteles, o Discurso do Método de Descartes, O Ser e o Tempo de Heidegger… Tenho a incômoda sensação de que algo parou para sempre, como um relógio antigo que fenece na gastura de seu mais íntimo tique-taque, ou no desordenado de engrenagens mínimas. E eu, eu poderia dormir por uma década inteira, pois, somente em densa sonolência, conseguiria reviver plenamente os instantes que ficaram nebulosos, envolvidos por algo de etéreo e inexplicável. Não dormirei… Não posso, estou em busca… Em busca do tempo perdido – Ahh, Marcel… – ou então, devo aproveitar le temps qui reste. Um dia se morre – como ando funesta, o que posso fazer? A morte me instiga com um enorme e pulsante: ?
Janela do meu quarto Agosto 8, 2007
Posted by annacarlasr in Auto-Crítica, Crise Existencial, Exorcismos, Freud explica?, Vai entender!, auto-análise, desabafos alheios, vida besta.2 comments
No instante em que abro a janela do mesmo quarto, meus coelhinhos voltam a me atormentar
olhando a única parede verde tomando meu toddy, a cidade dorme, enquanto meu sono dispersa e dá espaço aos dilúvios internos que dão voltas e voltas a fio
sento e ouço a mesma música, que me guia nessas noites angustiantes, e nostálgicas de certa forma
me desculpe tantos rodeios, mas no meu ponto de vista, não há provas suficientes de que as palavras expliquem, ou sequer esboçem qualquer pensamento em sua forma mais bruta, das mais variadas interpretações
neste diálogo solitário, entre mim e a parede, eu continuo a observar uma cidade que ainda dorme e muitos sonham, afujentando alguns de meus tormentos
finalmente dou meu último gole, sabendo que amanhã mais um toddy virá e mais coelhinhos me visitarão enquanto olho a mesma parede verde
p.s/preciso vomitar coelhinhos.
Fluxo de pensamento obscuro Julho 28, 2007
Posted by annacarlasr in Auto-Crítica, Crise Existencial, Freud explica?, Vai entender!, auto-análise, vida besta.add a comment
“E se você fosse embora, por exemplo, se partisse sem olhar para trás, assumindo a solidão, sabendo que pode ser um erro, um grave erro, mas que você se sentiria bem assim mesmo, faria isso? Perderia a segurança, mas o que significa estar seguro? Alguém está? Você poderia admitir, sem se enganar, que realmente está seguro?” – do livro Apanhador No Campo de Centeio
eu costumo espalhar minhas fotos pela casa, todas no chão e sentar no sofá para me ver.eu faço isso sempre quando quero ficar perto de mim, eu lembro bem de uma foto em especial na qual eu sempre coloco no canto direito, pelo simples motivo de ter que virar o rosto para ver, sempre achei isso tão curioso. pois o ponto de vista é algo totalmente diferente, mesmo nos meus maiores sentimentos efemeros tinha a certeza, de que eu não estava em casa.
p.s/:Ana Carla em crise de egocentrismo – bom, é isso aí!
Freud nem precisa explicar Julho 16, 2007
Posted by annacarlasr in Auto-Crítica, Crise Existencial, Exorcismos, Freud explica?, auto-análise.add a comment

