Jenelas, Março 5, 2008
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vãos rasgados, abertos, fendidos, unidos. suplicam-se: vãos.
gelosias, rótulas, óculos, empenas vazadas, frestas, rosáceas, flamejantes. suplicam-se: flamejantes.
janelas de dois lumes, três lumes ou geminadas, janelões, janelos, janelas, guarnecidas, estilizadas, talhadas, elaboradas, despidas, nuas. rogam-se: nuas.
platibandas rendilhadas, transparentes, transponíveis, disponíveis. rogam-se: disponíveis.
gradeamentos de ferro, forjado, fundido, de ferro fundido, de ardor cravejado, desmaterializado. como a ponte d. luiz. descarnado.
teias e cancelas sagradas. varandas, varadins, vãos de sacada, balaustrada, varanda alpendrada. sulcada.
suplicam-se que os vãos sejam rasgados, abertos e escancarados por forma a dilacerar o alcance de uma vista enquadrada. cega. escamoteada. censurada. por molduras, batentes, portadas, mainéis e lintéis.
já os vãos das portas querem-se entreabertos. suplicam-se: portas entreabertas. para sentir a textura do botão que sofregamente se desabotoa. para sentir o dedilhar das linhas. do risco. que gizou essas portas.
…p.a.u.l.a.t.i.n.a.m.e.n.t.e. vai-se sucumbindo ao doce canto, não da sereia nem da cotovia, mas ao do beija-flor.
Quem dera a Foucault ter descoberto o universo que se esconde atrás da tua porta quando definia a heterotopia.
Janela do meu quarto Agosto 8, 2007
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No instante em que abro a janela do mesmo quarto, meus coelhinhos voltam a me atormentar
olhando a única parede verde tomando meu toddy, a cidade dorme, enquanto meu sono dispersa e dá espaço aos dilúvios internos que dão voltas e voltas a fio
sento e ouço a mesma música, que me guia nessas noites angustiantes, e nostálgicas de certa forma
me desculpe tantos rodeios, mas no meu ponto de vista, não há provas suficientes de que as palavras expliquem, ou sequer esboçem qualquer pensamento em sua forma mais bruta, das mais variadas interpretações
neste diálogo solitário, entre mim e a parede, eu continuo a observar uma cidade que ainda dorme e muitos sonham, afujentando alguns de meus tormentos
finalmente dou meu último gole, sabendo que amanhã mais um toddy virá e mais coelhinhos me visitarão enquanto olho a mesma parede verde
p.s/preciso vomitar coelhinhos.
Fluxo de pensamento obscuro Julho 28, 2007
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“E se você fosse embora, por exemplo, se partisse sem olhar para trás, assumindo a solidão, sabendo que pode ser um erro, um grave erro, mas que você se sentiria bem assim mesmo, faria isso? Perderia a segurança, mas o que significa estar seguro? Alguém está? Você poderia admitir, sem se enganar, que realmente está seguro?” – do livro Apanhador No Campo de Centeio
eu costumo espalhar minhas fotos pela casa, todas no chão e sentar no sofá para me ver.eu faço isso sempre quando quero ficar perto de mim, eu lembro bem de uma foto em especial na qual eu sempre coloco no canto direito, pelo simples motivo de ter que virar o rosto para ver, sempre achei isso tão curioso. pois o ponto de vista é algo totalmente diferente, mesmo nos meus maiores sentimentos efemeros tinha a certeza, de que eu não estava em casa.
p.s/:Ana Carla em crise de egocentrismo – bom, é isso aí!
Freud nem precisa explicar Julho 16, 2007
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