Partida, largada, fugida.
Maio 1, 2008
O tempo tem as pernas mais longas do que as minhas.
Corre mais depressa do que eu. Finta-me, passa-me a perna e prega-me rasteiras. E Caio.
Quando me levanto, já sem forças, ergo os meus olhos em direcção à meta, que fica lá longe, tão distante… e constato a enormidade de voltas que ainda faltam ser percorridas.
Brrrrrrriiiiimm!
Esgotou-se o tempo! Foi ele o vencedor da partida.
Nem tempo tive de desafiá-lo na corrida, nem de cortar a meta tão pouco…
Fugiu-me
“Quero uma cartola de mágico,
mas que funcione bem, para enfiar nela meu coração
delirante e retirar uma engrenagem melhor.
Quero esconder na manga, na bolsa,
nessa cartola encantada minha alma falida,
a asa quebrada, tanta contradição.
Prefiro um objeto mais útil:
calculadora de emoção, maquininha de escrever,
relógio de sonho preso num lugar.
(Umas peças de metal enfiadas no peito: só o essencial,
para que a cara não desabe de todo no chão).”
Lya Luft
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