Minha odisséia particular de palavras
Agosto 21, 2007
Peço que leia rapidamente, como se tivesse receio de ser engolido pelas palavras. Tudo isso; os cadernos encharcados de mim mesmo, as cartas anunciando alguns pecados que eu nunca enviei e duas ou três dores de ser, meu suspiro opaco de fumaça sobre os abajures; tudo isso exerce uma força que engole violentamente, força-significado, puro símbolo, puro enigma. Dou mil voltas ao redor de mim mesmo enquanto me fitas silenciosamente. Então leia logo, por favor, ou te afogo – o desejo deseja – leia com pressa, sem se preocupar se as palavras vibram, se vibram umas nas outras, se entrelaçam-se.Não quero a verdade, nem as religiões, ora, elas não ensinam mais que a confeitaria.Na verdade, aprendi muito mais com as receitas de biscoitos, que com os grandes tratados, Metafísica de Aristóteles, o Discurso do Método de Descartes, O Ser e o Tempo de Heidegger… Tenho a incômoda sensação de que algo parou para sempre, como um relógio antigo que fenece na gastura de seu mais íntimo tique-taque, ou no desordenado de engrenagens mínimas. E eu, eu poderia dormir por uma década inteira, pois, somente em densa sonolência, conseguiria reviver plenamente os instantes que ficaram nebulosos, envolvidos por algo de etéreo e inexplicável. Não dormirei… Não posso, estou em busca… Em busca do tempo perdido – Ahh, Marcel… – ou então, devo aproveitar le temps qui reste. Um dia se morre – como ando funesta, o que posso fazer? A morte me instiga com um enorme e pulsante: ?
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