jump to navigation

Tim Burton Agosto 11, 2007

Posted by annacarlasr in Películas que sensiblizam, Reality News, sensações.
trackback

                                          burton_nota.jpg

Tim Burton é o grande diretor da sessão da tarde. E mais que isso: Tim Burton é um grande diretor. Vez ou outra, comete bobagens, vide “Planeta dos Macacos”, preciso dizer, é um mistério. Por que diabos alguém quereria filmar ou ver um filme cujos atores são homens fantasiados de macacos? Há algum fetiche nisso. No entanto, macacos me mordam à parte, não vou usar rudimentos de Freud para denegrir o diretor, se quero elogiá-lo. O caso é que Tim Burton tem um terreno delimitado, dentro do que se convencionou chamar de cultura pop, onde ele pode ser o que há de melhor em entretenimento misturado à poesia – à poesia do Romantismo, é bom que se diga – e ao fantástico. “Edward Mãos de Tesoura” é o auge desse estilo inconfundível, mas já em “Batman” os traços essenciais se tinham delimitado: a paisagem sombria, o personagem cuja ternura é corroída pela inadaptação e pela incomunicabilidade, e sempre um toque tragicômico barulhento que perturba o silêncio predominante. O diretor, logicamente, tem consciência do espaço onde pôde e pode alcançar o maravilhoso, e tentou um retorno em “A Lenda Do Cavaleiro Sem Cabeça”, recrutando Johnny Depp outra vez. Não obteve sucesso. O filme é bom, mas o melhor de ambos – Depp e Burton – está mesmo no sombrio daquele castelo encantado, à vista de todos, mas que a cidade provinciana insiste em ignorar, e está na ternura da figura pálida de Edward, em seu modo de caminhar, acanhado, em seu olhar melancólico, na neve que inventa para que Winona Ryder sonhe. Porque não podemos esquecer: além da bela e triste lenda de Edward, que é a história íntima de todos nós, devemos celebrar Tim Burton por nos ter inventado Edward.

(e para que fique claro de uma vez por todas: “Edward Mãos de Tesoura” me esfatia em pequenos pedacinhos de melancolia, saudade e eterno desejo de beleza)

Comentários»

1. Playmobil - Agosto 11, 2007

Adorei sua descrição de “Edward Mãos de Tesoura”.
Impressionante como os personagens de Burton sempre se “comunicam” entre um filme e outro.

Bjs.