El labirinto Del Fauno – O Labirinto do Fauno Julho 13, 2007
Posted by annacarlasr in Películas que sensiblizam, Pára tudo!, auto-análise.trackback
“Cuentan que hace mucho, mucho tiempo en el reino subterráneo, donde no existe la mentira ni el dolor, vivía una princesa que soñaba con el mundo de los humanos.”
… assim nos é introduzido o Mundo imaginário d’ El Laberinto del Fauno, caracterizado tanto por uma surpreendente e misteriosa beleza como por um ambiente mítico que oscila entre a sedução e a repulsa.
Guillermo Del Toro é o cara. Nasceu em Guadalara, no México e conquistou o meu coração fantástico! Nascer em Guadalajara é tipo ruim, cidadezinha que não tem nada. Imagino ele moleque parecido com Ofelia, a menina protagonista do maravilhoso O Labirinto do Fauno que, no final da Guerra Civil Espanhola, muda-se com a mãe grávida para um moinho no meio do nada porque seu padastro é um capitão do exército franquista com a missão de capturar uns últimos rebeldes escondidos na floresta perto do tal moinho. A menina não quer morar no meio do mato, muito menos com um pseudo-hitler como padastro. Mas a mãe tá grávida,e nada faz. Então a menina lê. Lê muitos contos de fadas, histórias fantásticas e imagina se fora de lá. Ou melhor, usa essas histórias pra sair um pouco de lá. Já no caminho de chegada encontra uma fada/libélula que a leva a um labirinto de pedra abandonado perto de sua casa/moinho e lá Ofelia descobre um mundo que só ela pode ver e nele viver: ela é a reencarnação da princesa do submundo que tempos atrás resolveu, por curisidade infantil, subir ao mundo dos vivos e assim se tornou uma mortal; rei, rainha, seus pais, esperam seu regresso, mas para ela provar que é a princesa, precisa realizar 3 provas sob a atenção do fauno.
Isso tudo na verdade é uma história a parte, a fuga da menina em meio ao inferno em que vive de soldados e tiros e explosões e da mãe que passa mal com a gravidez perigosa e do padrasto tirano. Enquanto ela pode, ela faz portas de giz e atravessa paredes, segue as fadas que agora têm a forma de um desenho de um de seus livros, corre de monstros com olhos nas mãos e ajuda a dor da mãe colocando sob sua cama uma erva que se parece com um feto que se move. Ofelia na verdade vive em seu mundinho, o mundinho das crianças, quase alheias à realidade à sua volta. E Ofelia não faz nada mais nada mesmo que tornar seu mundinho particular mais particular e mais interessante ainda.
Na sanguinária e desumana realidade que habita, o mundo subterraneo revela-se como uma escapatória promissora – começar uma nova vida e permanecer criança. Mas se a vivência é dolorosa, o modo como se apresenta a alternativa é também assustador e medonho, escondendo provas horripilantes, tão maldosas como o mundo que a rodeia.Embora a fantasia esteja sempre presente ao longo da história, não é um filme inocente ou puro que se destine a crianças; e ainda que não supere a maldade do real, o mundo criado não se apresenta como inofensivo.A moral que o filme nos mostra é sobre beleza onde realmente devemos encontrar,beleza esta não fisica ou estética mas sim moral,sensitiva,aquela beleza que faz a vida valer a pena.No caso da menina era na forma de princesa que ela só alcançou morrendo embora o fauno e o labirinto fosse da sua mente,ela entendeu que para ser essa “beleza” era necessario um sacrificio,dar a vida por outra e o texto final complementa dizendo que só encontramos quando procuramos no lugar certo.Sempre procuramos um lugar certo para pertencer,sabemos que o que vivemos tá errado,que merecemos bem mais do que essa vida emprestada que é a história íntima de todos nós.Ofelia compreendeu isso de uma certa forma.Porque não podemos esquecer: além da bela e triste lenda de Ofélia, que os sonhos sejam aqueles desejos desesperados do homem, que transbordam e aparecem em seu sono, e contudo apresentam sentimentos tão vivos que parecem experiências reais e o dever de desobecer quando a obediência mostra-se errada ou injusta.Um filme sobre a liberdade e o eterno desejo de beleza.
*Curiosidade

O homem pálido do labirinto…

capa do álbum Superpower do Sonic Youth. Coincidência?
Na minha opinião, “O Labirinto” será um dos filmes mais importantes desse século. O enredo pode até ser considerado como batido, vide obras como “Alice” e “O Mágico de Oz”, porém, nenhuma foi tão real ao trabalhar o fantástico. Um filme que utiliza um período de guerras mas que serve muitíssimo bem de metáfora para o cotidiano das pessoas que lutam contra seus sofrimentos, podendo este ser de ordem externa ou interna, física ou psicológica. É a dualidade e a eterna busca do ser por algo melhor e nefelibata (por que não?), representados quadro a quadro durante 112minutos. O que mais dizer de um filme onde um ato de insípida maldade é iluminado por uma lua anormalmente cheia (típica de contos de fadas)?